quinta-feira, 21 de março de 2013

Haiku - Poesia tradicional japonesa


     O haiku (俳句, haiku ou haikai) deriva duma forma anterior de poesia, em voga no Japão entre os séculos IX e XII, designada por tanka; tinha 5 versos, de 5 e 7 sílabas, que tratavam temas religiosos ou ligados à corte.

No século XV, os muitos concursos de poesia tanka deram origem a um jogo de escrita de longos poemas: a primeira estrofe, de 3 versos (com 5, 7 e 5 sílabas), era sugerida por um poeta e as restantes iam surgindo e associando-se, num jogo competitivo entre vários poetas. Este tipo de poesia era a renga, de temática clássica, e os primeiros três versos (os mais importantes, pois serviam de mote) designavam-se por hokku. No século XVI,  tornou-se mais popular o haikai-renga, de temática humorística.

Rapidamente a estrofe inicial de 3 versos acabou por se tornar uma forma independente de poesia. Mas só no século XIX, o mestre Masaoka Shiki lhe atribuiu um nome: haiku  (pela junção das palavras haikai e hokku). 

Os Quatro Mestres do Haiku



                                                        Bashō  (1644-94) | Buson (1716-83)
                                                        Issa (1763-1828) | Shiki (1867-1902)

A evolução:

Matsuo Bashō 松尾 芭蕉 (1644–1694), considerado o primeiro e maior poeta japonês de haiku, nasceu samurai e adoptou a simplicidade tanto na vida como na criação poética.

Enriqueceu o haiku, superando a artificialidade de poetas anteriores e tornando-o artistica e socialmente aceite. A par de poemas de carácter lúdico, começou a valorizar o papel do pensamento no haiku, imprimindo-lhe o espírito do budismo zen.

Versátil, os seus poemas sugeriam os mais variados estados de espírito: humor, depressão, euforia, confusão,... permitindo uma consciência da grandiosidade da natureza (física e humana).



Este caminho

Ninguém já o percorre,

Salvo o crepúsculo.



De que árvore florida

Chega? Não sei.

Mas é seu perfume.


 Outros poetas do género se lhe seguiram: Yosa Buson 与謝 蕪村 (séc. XVIII), Kobayashi Issa 小林一茶 (séc. XVIII), Masaoka Shiki 正岡 子規 (séc. XIX).

De salientar Shiki, crítico de Bashō por considerar que a sua poesia carecia de pureza e tinha demasiados elementos explicativos: o haiku deveria ser a partilha de um momento e não a sua explicação, privilegiando a descrição visual e o estilo conciso.

Nem Shiki nem os poetas contemporâneos afirmaram uma ligação ao zen, como Bashō, embora seja inegável que a essência desta filosofia continue presente em muitas composições haiku.
  
Matsuo Bashō
As características:


“O haiku é mais do que uma forma de poesia; é uma forma de ver o mundo. Cada haiku capta um momento de experiência; um instante em que o simples subitamente revela a sua natureza interior e nos faz olhar de novo o observado,
a natureza humana, a vida”. 

 (A. C. Missias, biólogo e poeta americano)

        Basicamente, o haiku define-se como uma forma poética que, quanto à forma, tem três versos curtos e, quanto ao conteúdo, expressa uma percepção da natureza.

         Os três versos (sem rima) apresentam, respectivamente, 5, 7 e 5 sílabas métricas japonesas. A métrica japonesa assenta essencialmente no elemento duração: por exemplo, a palavra Bashō, metricamente tem três sílabas ou unidades de som, porque o /o/ final é longo.

     São dois os elementos de conteúdo, em não mais do que duas frases: uma percepção sensorial (particular e imediata) e uma percepção sugestiva  (de maior amplitude circunstancial ou semântica). A separação entre os dois elementos é feita por uma palavra ou sinal gráfico (kireji).

          A percepção sensorial parte de um vocábulo associado a um elemento da natureza e, frequentemente, às estações do ano (kigo) O kigo representa o aqui e agora que originou uma dada emoção/sugestão.
Não apresenta objectividade, mas a subjectividade expressa provém sempre de uma objectividade captada pelos sentidos. Uma sensação concreta – visual, auditiva, táctil – permite associações, sentimentos, memórias, o reconhecimento de um conjunto mais amplo em que essa sensação se encaixa.

'Um pequeno cuco voa para uma hortênsia' - Yosa Buson

O haiku capta o instantâneo, regista, enquadra, presentifica, evoca, emociona... a ligação semântica entre as palavras expostas será sempre feita pelo leitor.

      É, pois, uma forma de poesia breve, depurada, bela, simples e fluente. É uma reacção estética minimalista à crescente consciência humana do caos.
       Exige uma atenção aos mais pequenos eventos da natureza objectiva e imediata; uma permanente atitude de espanto perante o fenómeno da natureza. 

         Pressupõe uma relação entre o particular e o geral, entre o mais individualmente percebido e o ritmo cósmico da natureza, entre a efemeridade da sensação e o eco que esta pode despertar na sensibilidade e na memória, promovendo uma união entre o sujeito e o objecto. De referir que, no Oriente, o conceito de união entre o homem e a natureza é diferente do ocidental: o homem também é a natureza, por isso, o conceito de união remete para aquele momento específico em que o homem reconhece essa natureza a que ele também pertence.


terça-feira, 12 de março de 2013

Reminiscências em Hirado

     A noroeste da cidade de Nagasaki, mas ainda na província que tem esse nome, fica Hirado. Mais uma vez "Hirado" é tanto o nome da ilha que se desprende de Kyushu como da cidade que é a capital da ilha. A distância é tão curta que chegar a Hirado se faz por uma ponte, um percurso que aliás é particularmente bonito ao final da tarde porque se vê o pôr do sol no mar e todas aquelas pequenas ilhas. (ver mapa)

Hirado (平戸市, Hirado-shi), província de Nagasaki

     Hirado é então uma cidade-porto, numa baía protegida do vento e sem ondas. Perfeita para aportar, e mesmo para barcos grandes pois as águas são fundas mesmo até à beira da costa. Não é por isso de surpreender que os barcos dos mercadores macaenses, que eram essencialmente portugueses, tivessem escolhido este porto para se aproximarem daquilo que até então parecia ser uma potencial terra de "fama e fortuna" - o Japão antes do período Tokugawa. Certamente que as guerras entre chefes militares/déspotas feudais (em japonês: daimyo) era problemática, mas na verdade essa era mais uma das razões pelas quais alguns deles recebiam tão bem estes "brancos do sul"*. A elite militar pretendia adquirir armas de fogo rapidamente, e apreciavam muitíssimo as vestimentas (casacos e chapéus sobretudo), bem como as novidades gastronómicas (sobretudo o açúcar!), a música, os conhecimentos geográficos (estes dois por via dos colégios jesuítas), entre outros.

     Assim, o porto de Hirado cresceu rapidamente na segunda metade do séc. XVI, e a ele afluíam os negociantes japoneses que pretendiam adquirir materiais exóticos para ir vender nas grandes feiras de Kyushu, ou mesmo levar para Sakai - o porto de Osaka. A história sucedeu-se rapidamente e Hirado deixou de ser o porto preferencial para os mercadores representantes da coroa portuguesa, ou seja, que vinham na Nau do Trato a partir de Macau (e que começava em Goa), pois mudaram-se para Nagasaki **. Alguns comerciantes privados podem ter continuado a frequentar o porto mas este ficou a ser administrado sobretudo pelos holandeses, que aí estabeleceram uma "fábrica" (mas deve entender-se como uma feitoria) análoga à que tinham em Jacarta.

     A memória desses tempos em Hirado ainda existe, e bem viva. A cidade está a investir da sua promoção turística usando o tema da cultura dos séculos XVI, XVII e XVIII. Por exemplo, no local onde seria a "fábrica" da VOC (a Companhia das Índias Orientais dos Holandeses) ergueu-se um edifício nos últimos dois anos que é uma réplica do que se acredita ter existido (com base em estudos do exemplar de Jacarta, mais bem preservado), e os souvenirs da cidade são citações directas dos exotismos que animavam a cidade, passando tanto pelos portugueses como pelos holandeses. Quando falavam directamente comigo, e calculo eu que seja mais por simpatia que por exactidão, as pessoas enfatizavam sempre o lugar especial em que tinham as memórias dos portugueses. Indicaram-me, por exemplo, que o supermercado que se criou na rua que dá acesso ao porto se passou a chamar "merucado" porque os cidadãos votaram nesse nome. A justificação foi "sempre se chamou isso àquele lugar, não ía mudar agora por se fazer um edifício com cobertura".

     Eu ia tendo um "treco", como se diz na gíria, pois aquilo era o século XVI a falar directamente com um observador do século XXI. Prossegui cautelosamente, tentando que a minha curiosidade não traísse a exactidão das minhas perguntas como investigadora: "E sabe o que quer dizer mercado?" "É o nome do sítio." " E em português, sabe o que é?" "É uma palavra portuguesa?!" "Sim, significa local onde se compram e vendem produtos, onde se fazem negócios." "Ai sim?! Não se sabe isso aqui. Toda a gente sabe que se chama isso mas não sabem que quer dizer isso em português!" " Tem ideia desde quando se chama mercado a este lugar? É uma coisa recente?" "Não sei, sempre ouvi assim, e sou daqui, e os meus pais também lhe chamavam isso, era simplesmente o nome daquele pedaço de área ali..."

     Mais acima, subindo o desnível íngreme desta sucessão de recortes na costa, chega-se a uma casa senhorial do século XIX, na boa e tradicional arquitectura japonesa do período Edo. Nessa casa gigantesca, que é legado da família Matsuura, criou-se um museu com o espólio da colecção da família. O Museu Matsuura é portanto o principal repositório de arte de Hirado e um dos pontos fortes para os visitantes - que aqui são quase exclusivamente japoneses e não estrangeiros. (veja-se o link para a review do TripAdvisor sobre este Museu)

     Neste Museu encontrei-me com o seu director e elemento da família Matsuura, que mais uma vez atestou que prefere a história dos primeiros 10 ou 20 anos do porto de Hirado (presença dos portugueses) do que todo o resto do período de presença holandesa. Eu recebia estes comentários com um sorriso mas sabia que estavam a ser sobretudo simpáticos para mim. Em todo o caso ele alongou-se a justificar as suas razões. Aparentemente o que causou maior impacto foram esses primeiros anos, a presença de uma etnia totalmente diferente de todas as que eram conhecidas, e a primeira que não era "asiática". "E como reagiu a população?" " O Japão não estava em guerra com o exterior, aquilo não era uma invasão, apenas a visita de comerciantes, por isso foi pacífico e seguiu o processo habitual de registo na alfândega e pagamento de impostos. Para as pessoas era bom porque tinham produtos novos e diferentes. A chegada da nau trazia vida a Hirado. Foi uma mudança espantosa em poucos anos, e nunca mais se repetiu." "É por isso que têm ainda referências à presença dos portugueses aqui?" "Sim, eu quero ter essa referência no Museu."

     E depois levou-me ao café/loja, onde vendem doces (que na verdade são mais açúcar com um toque de sabor) e diversos souvenirs. "Os portugueses trouxeram o açúcar. Doces e portugueses estão ligados." Em japonês esta frase é particularmente interessante, acreditem. Eu fiquei um pouco confusa porque pareceu-me ouvir "Os portugueses trouxeram a doçura" mas depois ele esclareceu-me. Em todo o caso é curioso que a memória seja selectiva, que se pretenda associar os "bons velhos tempos" de glória e prosperidade a um conjunto de eventos que, na verdade, não teriam sido (apenas) positivos.

O Galo de Barcelos, reinterpretado.

     A disposição dos souvenirs lá está, para quem queira sentir ainda a aragem vinda do porto e desfrutar de um imaginário século XVI. E para casa pode mesmo levar um paliteiro em forma de galo de Barcelos***.

Há lá coisa mais "tuga" do que isso?

Inês Carvalho Matos
                                                       (III/CES - Universidade de Coimbra; CHAM - FCSH-UNL)
Comissão organizadora - Namban 南蛮 1543-2013

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* "brancos do sul" para tradução de "namban jin", considerando que "komo jin" ou "ruivos" era o nome dado aos holandeses, eram nomenclaturas essas usadas tanto em Hirado como em toda a província de Nagasaki; onde malaios, cambodjanos, chineses, léquios (ilhas Ryukyu) e outros grupos étnicos tinham outros nomes específicos

** O daimyo de Hirado retaliou esta decisão, abandonou o cristianismo e tornou-se hostil aos portugueses depois deste evento, pois perder a exclusividade de comércio e dos impostos que daí advinham foi encarado como uma traição

*** O galo de Barcelos foi encomendado a uma loja em Tokyo que os recebe por importação.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

'Portugal, Jesuits and Japan'



 

  
   Boston recebe exposição inovadora sobre as relações culturais entre Portugal e o Japão


  O McMullen Museum of Art no Boston College, EUA, inaugurou a 16 de Fevereiro a exposição “Portugal, os Jesuítas e o Japão: Crenças Espirituais e os Bens Terrenos”, uma iniciativa dedicada ao intercâmbio cultural de meados dos séculos XVI e XVII através da circulação de mercadorias em navios portugueses. A exposição é composta por um total de 70 obras, oriundas de instituições e colecções particulares dos Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e Brasil, e que destaca um período de ‘internacionalismo’ que deu lugar à insularidade, após a expulsão dos Portugueses do Japão em 1639. 

   A exposição, que estará patente até ao dia 2 de Junho, conta com o apoio da Fundação Luso-Americana e serviu também de cenário à sessão de apresentação do livro “The Dabneys”, no passado dia 21 de Fevereiro.


Mais informações:
http://www.mundoportugues.org/content/1/11061/boston-recebe-exposicao-inovadora-sobre-relacoes-culturais-entre-portugal-japao

Website do Museu e exposição:
McMullen Museum of Art

 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

'Do Japão para o Alentejo'


A organização do Namban 南蛮 1543-2013 vem desta forma dar o contributo na divulgação do livro “Do Japão para o AlentejoA Embaixada Japonesa Tenshö em Vila Viçosa no ano de 1584”, da autoria de Tiago Salgueiro

«No seguimento das ações de divulgação do livro “Do Japão para o Alentejo – A Embaixada Japonesa Tenshö em Vila Viçosa no ano de 1584”, e respondendo ao amável convite da Câmara Municipal de Alandroal, informo que estarei no Fórum Cultural Transfronteiriço desta localidade, no próximo dia 23 (sábado), pelas 16 horas. Irei fazer uma apresentação multimédia sobre o conteúdo da obra e estarão disponíveis exemplares para venda. Conto com a sua presença e agradeço a divulgação!  

Com os melhores cumprimentos, Tiago Salgueiro






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pelas ruas de Atami

  «Quando estava em Atami, em Setembro de 2012, presenciei esta cena na rua por pura coincidência (ver vídeo). Eu estava a percorrer a marginal a pé na companhia de duas pessoas de Atami, que me estavam a indicar onde estavam plantados os jacarandás que foram oferecidos à cidade pela cidade por Cascais (no âmbito de uma geminação). Eu pretendia ver se os jacarandás ali em Atami estavam floridos, isto porque eu própria vivi muitos anos numa rua de Lisboa cheia deles. O pavimento coberto de lilás e o cheiro da flor são boas recordações para mim. Estava eu então muito contente porque algumas das árvores estavam floridas, e ia filmá-las. As minhas companheiras de passeio estavam a explicar-me que a cidade planeava estender o corredor de jacarandás na marginal, porque alegadamente ficavam todos maravilhados com a época em que floriam intensamente.

   É então que oiço um cântico budista. Conhecia-o muito bem por o ter ouvido noutros lugares onde já tinha passado, mas não esperava uma demonstração daquelas naquele lugar tão...urbano. O monge estava à porta de um estabelecimento comercial com o seu traje de noviço. Em certos sectos budistas os monges fazem uma oração a troco de um donativo. No entanto os meus estudos de religiões do extremo-oriente tinham-me ensinado que esse momento é muito privado: a loja está a ser espiritualmente purificada. Como resistir a filmar? Acabei por inventar uma estratégia menos invasiva. Mantive-me à distância, em silêncio, e no momento em que a lojista se aproxima da porta desviei a câmara, não violando a privacidade da interacção entre ambos nem o momento de recepção da esmola por parte do monge. Assim, as flores do jacarandá acabaram por ser o interlocutor deste pequeno filme, o que acabei por apreciar muito. As flores abertas nas árvores e o seu destino inevitável no chão, pintalgando-o de violeta, pareciam-me então a analogia perfeita para aquele momento. 

  Na vida que passa, no tempo que urge, na marginal que se moderniza, ainda há flores e orações, não estivesse eu no Japão.»


Inês Carvalho Matos
Comissão organizadora - Namban 南蛮 1543-2013



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Wakasa

   Anunciamos que a exibição do filme Wakasa (2011) de José Manuel Fernandes está confirmada no Namban, sendo esta a primeira produção cinematográfica integrada no ciclo de cinema que pretendemos incluir no evento. Em princípio, o realizador também estará presente para falar da sua experiência durante e a gravação do filme em terras nipónicas.

Fica o trailer, informação e sinopse do filme:

  • Realizador: José Manuel Fernandes
  • Duração: 56 minutos
  • Género: Documentário | Ficção
  • Ano: 2011
Sinopse:
    A primeira história de amor entre um ocidental e uma japonesa nasce durante a introdução das armas de fogo no Japão pelos portugueses do século XVI. Um festival anual na ilha de Tanegashima recria os factos históricos e a lenda de uma princesa desaparecida fazendo reviver as emoções de heróis ancestrais.
[Fonte: C.r.i.m. Produções]

Estreia mundial no Indie Lisboa 2011.
Festivais e Prémios:
# 2011 - International Independent Film Festival IndieLisboa, Portugal - Prémio para a Melhor Fotografia (Takashi Sugimoto).



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Tradução / 翻訳 :
大阪大学学生 山本真悠子
Mayuko Yamamoto (Estudante da Universidade de Osaka)

Revisão / 監修 :
コインブラ大学日本語講師 新里文野
Ayano Shinzato (Docente da Universidade de Coimbra)


『わかさ』
ジョゼ・マヌエル・フェルナンドスによる映画『わかさ』(2011) の公開が決まりました。『南蛮470』のイベントでは映画をいくつか紹介する予定ですが、これは第一本目となります。監督も出席し、日本滞在中での監督自身と映画撮影の経験について話す予定です。

写真監督である杉本隆も招かれ、彼の短編映画の一つを紹介します。

映画の予告、情報、概要はこちらです。
ブログにあるビデオのリンク

監督:ジョゼ・マヌエル・フェルナンデス
上映時間:56
ジャンル:ドキュメンタリー、フィクション
公開年:2011
概要:
西洋人と、日本人女性の初の恋物語は、16世紀にポルトガル人によって日本に銃が導入された時に始まります。種子島での例年の祭りは、歴史的事実と古代英雄の感動として復活を遂げたある亡き姫の伝説を再現します。

出典:C.r.i.m produção

2011
Indie Lisboaでの世界初演。

映画祭と賞:2011Indie Lisboa国際独立映画祭、ポルトガルにて、最優秀写真家(杉本隆)として受賞。


Azuchi


   "No cume da colina, no meio do povoado, Nobunaga construiu o seu palácio e castelo que, no que se refere à arquitectura, poder, riqueza e magnificência, pode ser comparado aos maiores edifícios da Europa. (...) No centro há uma espécie de torre, que é chamada de 'tenshu', cuja esplêndida nobreza e aparência superam em muito as nossas."

...
    Apontamento de Luís Fróis, padre jesuíta português, sobre a construção, por ordem de Oda Nobunaga (de quem foi amigo próximo), do castelo de Azuchi nas margens do lago Biwa (província de Omi). O complexo fortificado de Azuchi, construido entre 1576 e 1579 com o objectivo concreto de servir como quartel general do daimyo de Owari (com notória intenção de 'vigilância' sobre a capital, Quioto), incorporou na sua arquitectura elementos de inspiração ocidental, como uma nave aberta com a altura de cinco andares no interior da torre principal, algo inédito na tradição arquitectónica japonesa. Este e outros elementos tornaram o castelo de Azuchi no mais imponente e grandioso castelo do Japão, com uma indissociável demonstração de poder, sumptuosidade e arte.

    O Período Azuchi-Mamoyama recebe o nome dos dois centros de poder entre 1568 e 1603: O castelo de Azuchi, de Oda Nobunaga e o castelo de Mamoyama (ou Fushimi) de Toyotomi Hideyoshi, localizado no bairro de Quioto com o mesmo nome.